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Ladrão, me come que eu te passo um cheque

novembro 4, 2006

Não faz nem dois meses que Ricardo mudou para capital (que capital? Ah… qualquer metrópole perigosa e violenta onde as pessoas são assaltadas nas ruas e dentro de suas casas, onde o cidadão de bem não pode andar armado, só ladrão que pode, gente honesta anda com o cu na mão, encontra o ladrão e se borra…), morre de medo de ser assaltado nas ruas escuras da vila que mora quando volta do cursinho pra casa tarde da noite. Ele deixou a casa dos pais lá no interiorzão, lá nos grotões do estado onde o diabo perdeu suas havaianas treck vermelhas, e se mudou para capital em busca de uma vida melhor. Trabalha e estuda. Trabalha oito horas por dia e sai correndo para aula num cursinho pré-vestibular, Ricardo quer fazer faculdade, é o sonho dele, quer ser publicitário, viu na televisão que o Duda Mendonça ficou rico com publicidade. A propósito, antes de tudo acontecer, Ricardo votava no PT. Agora só pensa em anular o voto nas próximas eleições. Desse tipo de sacanagem que o PT faz, ele não gosta, gosta de outras, gosta quando os caras esfregam o pau duro na bunda dele dentro do ônibus lotado levando a working class para seu ofício de ganhar o pão de cada dia. Ricardo está desapontado, desde que mudou para cidade grande ainda não rolou nenhuma foda, antes pensava – Ah!!!, quando me mudar para a capital, vou ralar o cu de tanto levar na bunda, vai ter sexo todo dia. Que nada, coitado. Está na seca há dois meses. Só na punheta, na vontade e nas lembranças. O cuzinho até pisca quando lembra das enrabas com o Orelha. Orelha é um amigo de infância que ganhou esse apelido em razão das orelhas de abano. O Orelha não é feio, é judiado. Começaram aos 10 anos com um ingênuo troca-troca (a propósito, lugar bom pra arrumar macho é no troca-troca.com do meu amigo André…) e não pararam mais. As vocações se definiram, Ricardo descobriu que tinha pra levar no rabo e o Orelha para mandar rola no rabo de Ricardo. É claro que depois que se tornaram marmanjos criados a coisa passou a rolar de outro jeito, o Orelha se achando homem e cheio de graça com as putinhas da cidade, mas sempre procurando Ricardo para dar um finco.Cansado. Tarde da noite. Cheio de tesão, Ricardo olha pra cada macho que encontra na rua, dá uma encarada, desce os olhos gulosos e dá uma conferida no volume entre as pernas e volta para os olhos, para ver se o galalau sacou a sua. Má sorte. Alguns até olham de um jeito diferente, tipo – topo, cai de boca bichinha, te como sim, vem que é tua, viadinho… Mas nada se concretiza. Já está a ponto de enlouquecer, vê-se surtando pelas ruas, gritando a pleno pulmões, enlouquecido – EU QUERO ROLA, CARALHO!!! QUERO DAR O CUUUUUUU!!! No metrô um cara ficou olhando, deu uma pegada no volume, que deu sinais de aumentar de tamanho, mas nada. Cacete. Que dificuldade para dar o rabo. A rua está escura, fica cada vez mais escura e deserta à medida que se aproxima da sua casa. Ele mora numa dependência de três cômodos e banheiro alugada de uma parente da madrinha dele. No interior todo mundo conhece alguém na capital ou tem algum contato com alguém que conhece. A velhota tem meia dúzia de dependências ordinárias nos fundos de um ponto comercial que também é dela, cujos alugueis são sua única renda de viúva. Ricardo mal vê seus vizinhos, todo mundo trabalha e fica fora o tempo todo, quando ele volta para casa, eles já estão dormindo porque também levantam cedo para cumprir quase a mesma jornada de Ricardo, com a diferença que talvez não estudem. Que vida!, pensa. Como a vida pode ser melhor desse jeito? Se pelo menos…

Ricardo percebe que um sujeito quase o acompanha agora. Está escuro, mas percebe que o tipo é interessante. Talvez tenha uns 25 anos, é moreno, barba por fazer, veste jeans surrado e jaqueta de couro, botas, por baixo da jaqueta uma regata branca. Parece ter um físico legal, talvez trabalhado em academia, talvez não. É mal encarado. Está fumando. Percebe que Ricardo o está avaliando. Os dois andam no mesmo ritmo, lento. Hora de entrar. O estranho pára junto ao portão que Ricardo vai entrar.

Você mora aqui?

Moro. – responde Ricardo.

Sozinho?

É!!! – a bichinha louca pra dar, já está pronta pra convidar o estranho para entrar.

Nem foi preciso. O cara enfiou a mão dentro da jaqueta, Ricardo só viu o brilho de um objeto prateado e em seguida sentiu o objeto gelado contra seu rosto, foi quando identificou que o objeto era uma arma, um revólver.

Então vamos entrando meu irmão, vou te fazer uma visitinha… E, sem graça, pra eu passar fogo em mais um mané não custa…

As pernas de Ricardo ficaram moles. Achou que iria desmaiar. Não desmaiou mas não conseguia mover-se. O cara não parecia estar brincando. Como um sujeito tão bonito e gostoso podia ser um bandido?!!

Qualé mermão. Tá de graça. Colou no chão? Acho que você quer ficar aqui mesmo…

Ricardo ouviu o barulho do gatilho. Era evidente que o bandido não estava de brincadeira. Tomou coragem e caminhou para o portão. Com as mãos trêmulas, tirou as chaves do bolso. Não conseguia abrir o cadeado, não conseguia enfiar a chave no buraco. Deixou as chaves caírem no chão. Antes que o bandido tivesse tempo para dizer qualquer coisa, abaixou-se e pegou e com a mesma rapidez abriu o portão. Entraram. Passaram pelo corredor, entre um muro alto e várias portinhas, até chegar a de Ricardo. Agora o bandido não apontava a arma para a cabeça de Ricardo, mas ia colado a ele. Ricardo podia sentir o cano nas suas costelas, vez ou outra roçava a bunda no bandido gostoso e o pior (ou melhor) de tudo era sentir a respiração dele na sua nuca. Que homem!

Dentro do pequeno cubículo que Ricardo mora o bandido fica visivelmente passado. Não há nada de valor para se levar. Nem DVD, nem um aparelho de telefone moderno, daqueles sem fio com identificador de chamada. Um aparelho de televisão de 14” nem vale a pena. No quarto apenas um colchão no chão e roupas empilhadas sobre duas cadeiras e algumas caixas. Com Ricardo na mira da arma, o bandido procura uma peça de roupa que tenha algum valor, se detém por alguns instantes num jeans sem marca, o preferido de Ricardo, desiste, joga no chão. Na cozinha, a geladeira nova. Um modelo simples, mas novo.

Só essa geladeira vale alguma coisa aqui. Como vou levar sua geladeira?

Ricardo arregala os olhos. Ele não pode levar sua geladeira comprada em 24 prestações nas Casas Bahia, a loja daquele pentelho que anuncia na televisão. Ricardo tem tesão por Fabiano Augusto, o garoto-propaganda-pé-no-saco da rede de lojas.

A geladeira não. Por favor…

O ladrão volta, encosta a arma na cara de Ricardo.

Nessa merda de barraco não tem nada de valor, vai esvaziando os bolsos que eu não vou perder meu tempo… Tirando esse relógio vagabundo e o celular, se tiver.

Ricardo não está mais com tanto tesão assim, tira a carteira, coloca sobre a pequena mesa de plástico, o relógio que ganhou quando fez primeira comunhão…

Não vou levar sua carteira e nem seus documentos… Bosta, só 20 reais? Cara, tu é o maior durango que já roubei… Acho que vou ter que dar uma lição…

O bandido junta Ricardo pelo colarinho, puxa para junto de si, entre o rosto deles apenas o revólver prateado, empunhado com o cano voltado para a cara da vítima. Isso é fálico, excitante. Ricardo gosta da situação. Sente medo, sente tesão. Sua respiração está ofegante, seu coração bate a mil e quase sai pela boca. Seus braços estão abaixados, com uma das mãos toca entre as pernas do bandido. Segura o volume compacto e firme que se forma entre as pernas dentro do jeans surrado. O bandido faz cara de safado.

Ah!!!, então o viadinho tem outra coisa pra me dar…

Ricardo leva um tabefe na cara, do lado esquerdo, que quase o derruba.

Já demoro. Abaixa e chupa ou vai começar apanhar igual mulherzinha de bandido, o que eu acho que você ser…

O bandido liga a televisão. Ricardo acha que é para os vizinhos não ouvirem o barulho… Na TV William Waack fala da prisão de Maluf e Flávio Maluf que estão dividindo a mesma cela na Polícia Federal, do bispo dom Luiz Flávio Cappio está no nono dia da greve de fome por causa da transposição do rio São Francisco… Boa noite!, acaba o jornal e Ricardo continua mamando. Começa o programa do Jô, o gordo egocêntrico e suas viadagens…

Isso, chupa… Engole tudo, quero sentir a sua garganta. Vai, vai… engole, engole ou apanhar. Lambe meu saco, isso… Coloca ele inteiro dentro da boca. Vai, coloca. Abre bem a boca que cabe. Vai apanhar na cara, bichinha. Tô avisando.

Se não fosse pelos 20 reais e pelo relógio, que foi presente da primeira comunhão, Ricardo poderia dizer que tirou a sorte grande. O cara é muito gosto. Quando abriu o jeans surrado o pau já estava duro, saltou para fora como aqueles brinquedos surpresa, de mola, que saltam para fora da caixa, ele não usa cueca. Sem frescura Ricardo abocanha, lambe a cabeça melada, sente o gosto do queijinho do pau do bandido. Leva uns puxões de cabelo e engole tudo. O pau não é muito grande e nem muito grosso, mas é retinho, duro como ferro. É ferro que Ricardo quer.

Chega. Já babou muito no meu pau. Agora vou foder seu rabão. Espero que não esteja muito fedido. Ah!, se cagar no pau, morre. – aponta o revólver para cabeça de Ricardo. Em momento algum ele soltou a arma. Bandido que é bandido não vacila.

Ricardo tira a calça, a cueca e fica de apenas de camiseta e tênis. Igual em filme pornô (já reparou que em filme pornô os atores dão a bunda e comem sempre de tênis e meia?). Fica de quatro sobre uma velha poltrona que está com o acento queimado, na hora pensa que alguém sentou ali com o rabo pegando fogo e queimou a poltrona.

Hum!!! Esse cuzinho parece que está meio apertadinho. Vou arregaçar ele.

Ricardo sente o cano gelado do revólver no seu cuzinho. Isso o deixa excitado. Quase goza. Sente o cano sendo pressionado, o cu está seco, arde, dói. Com uma das mãos o bandido segura a arma que tenta enfiar no cu de Ricardo e com a outra está se punhetando. Ele desceu a calça até o meio das coxas, contrai a bunda máscula e faz cara de tarado, diz algumas palavras que Ricardo não entende. Ele também está cheio de tesão.

Pronto, viado. Está preparado pra levar rola? Vou te foder gostoso.

Coloca uma camisinha…

Fiquei preso quase um ano, comi muito viado na cadeia sem camisinha e sem nada, você me parece mais limpo que qualquer cara que eu enrabei… Só que se cagar no meu pau vai limpar ele com a boquinha…

Cara, sem camisinha não. Tem uma na minha carteira…

Cara boca ou meto bala no teu rabinho, vai morrer semi-virgem…

Por favor, coloca uma camisinha…

Assim que eu gosto, implora, chora… E cala a boca.

Ricardo ganhou o segundo tabefe na cara. Não ia ter conversa. Sentiu seu cu ser umedecido com cuspe e o dedo médio do bandido abrindo seu buraquinho. Mais cuspe. Dedada. Cuspe. Agora ele abaixou e deu uma lambida no rabinho piscante de Ricardo.

Não é pra acostumar, viado. – um tapa até carinhoso na bunda e a cabeça do pau se posicionou.

Ricardo sentiu-se segurado pelo quadril por duas mãos firmes, numa delas a arma gelada, que estava encostada na sua bunda. Já nem lembrava mais que estava preste a ser fodido sem camisinha por um estranho que passou um ano na cadeia comendo bichas sem camisinha. Ricardo sabia que jamais devia fornecer o rabinho sem camisinha, ainda mais para um bandido (Escritor de Contos adverte – nunca dê ou coma sem usar preservativo).

Bandido… – foi o grito que Ricardo deu, quando a pica do bandido entrou com tudo, rasgando, cortando, metendo-se dentro dele como uma bala de revólver.

Bombadas fortes. Muito fortes. Dor. A dor indo embora. Prazer. Só prazer agora. Bandido gostoso. O caralho deslizando num interminável entra e sai, quase leva Ricardo a loucura de tanto tesão.

Um movimento brusco e não avisado assusta Ricardo. Quando dá por si não está mais dando a bunda de quatro, mas está de frente para o bandido tendo o caralho dele junto a sua cara. Parece que o pau vai explodir. As veias saltam. Finalmente explode. Porra quente atinge o rosto de Ricardo em golpes fortes. Ele geme enquanto ejacula. Agora tem as duas armas na mesma mão, o caralho e o revólver. Com o rosto sujo de porra, Ricardo ganha um tapinha na cara, diferente dos outros dois que recebeu antes.

Relaxa bichinha, nunca estive na cadeia e você é o primeiro viadinho que eu como. Esse tipo de foda só vi na internet e sempre tive muita vontade de fazer igual.

O bandido dá um passo para trás, ergue a calça, recolhe o pau melado, sem limpar, e fecha o zíper com dificuldade. Guarda o revólver na cintura. Ajeita a jaqueta. Olha para mesa onde estão os 20 reais e o relógio. Olha para Ricardo, aponta o dedo indicador simulando uma arma e com a boca faz o som de um tiro. Vai embora e não leva o dinheiro e o presente da primeira comunhão.