Quando um velho encontra um novo

heitor@ig.com.br

Eu conheci Joneiton em meu último emprego. Trabalhávamos em uma empresa de transporte urbano. Éramos de idade bem diferentes, eu com 42 e ele com pouco mais de vinte.Ele, embora jovem, já tinha uma filha pequena e já tinha encomendado outro, e vivia com a companheira, ser sem casado oficialmente. Eu já era casado há mais de dez anos com minha esposa. Ele tinha um tipo físico atlético (tentara ser jogador de futebol, mas uma lesão no joelho não permitiu….e ainda trazia o corpo esculpido pelas longas horas de treinamento). Eu sempre detestei qualquer tipo de exercício físico, mas ainda assim tinha o corpo esbelto para um coroa, e quando digo coroa é em relação à idade dele.Sentia-me atraído por ele, embora ele tivesse um perfil bastante másculo, e em minhas fantasias homossexuais eu sempre sonhava em ser o ativo. Os seus olhos verdes, o seu corpo liso, as suas nádegas durinhas (que eu observava no vestiário), os seus cabelos encaracolados na altura do pescoço, a sua voz grave, e o seu temperamento de pavio curto me diziam que eu não deveria ter a menor esperança. Eu tinha certeza que nada aconteceria entre nós, e se acontecesse, a probabilidade de eu ser o passivo da história era maior….e isso sempre me desencorajou qualquer aproximação mais íntima. E oportunidade para isso não faltava. Tomávamos banho juntos no vestiário, e nos turnos da madrugada, tirávamos uma soneca bem juntinhos num cubículo apertado, onde mal cabia uma pessoa, na garagem da empresa, entre uma viagem e outra, numa linha de ônibus que liga a zona oeste e o centro da cidade do Rio de Janeiro. E foi justamente nesse cubículo que tudo aconteceu, mas de uma maneira inesperada e maravilhosa.Numa certa madrugada, eu tinha que acordá-lo no tal cubículo, onde eu sabia que ele estava cochilando, para a sua próxima corrida. Não acendi a luz do pequeno aposento, pois não queria acordá-lo da maneira abrupta. Ao me aproximar do colchonete onde ele estava deitado, pude perceber que ele dormia sem a parte de cima do uniforme, de bruços. Chamei seu nome várias vezes, com a voz quase num sussurro…Ele não acordava. Ajoelhei-me perto dele e hesitei em tocar seu corpo. Onde tocá-lo? No braço, no ombro, nas costas? Fiquei alguns momentos paralisado entre a dúvida e contemplação daquele belo adormecido. Tremendo da cabeça aos pés, nem me dei conta que estava acariciando seu corpo…E foi nesse misto de medo e tesão que eu vi seu corpo esboçar alguma reação aos meus toques. Não sabia ao certo qual seria a reação dele, e me preparei para o pior…algum tipo de agressão física, ou verbal. Mas o que vi foi ele dirigir ambas as mãos para a região da virilha, desabotoando a calça do uniforme e arriando-a, juntamente com a cueca, até a altura dos joelhos, permanecendo de bruços, virando o rosto para o outro lado, como se não quisesse ver o que eu iria fazer com o seu belo traseiro exposto.O que aconteceu em seguida vem à minha mente em flashes loucos, numa seqüência de imagens selvagens, de sexo animalesco, de dois homens se entregando ao prazer sem medir as conseqüências. As chances de um outro motorista da empresa aparecer ali eram grandes, mas simplesmente ignoramos isso. Eu pulei em cima dele, e acabei de arriar suas calças, e tentei penetrá-lo de uma vez só, até que nos lembramos finalmente da utilidade lubrificante da saliva. Éramos ambos virgens naquele tipo de relação, mas a natureza seguiu o seu curso, e em poucos instantes eu estava inteiramente dentro dele. A loucura daquele momento não me impediu de notar que ele sentia uma dor incrível, que ele suportava heroicamente, e aquilo me fez o macho mais feliz na face da Terra. Senti o gozo vindo numa avalanche e ele parece ter pressentido, pois seu corpo se empinou como que para recebê-lo. Com os dedos crispados, senti minhas unhas cravarem no seu quadril, enquanto meus braços puxavam com toda força o seu corpo para junto do meu. Um jato de esperma saiu de mim com tal força, que parecia que a vida em mim se esvaía. No torpor daquela morte, ainda percebi os movimentos frenéticos do seu quadril, numa tentativa de ejacular junto comigo. Reuni todas as minhas forças, e voltei à carga, e mesmo sem uma gota de esperma dentro de mim, continuei a ir e vir dentro dele, segurando firmemente o pênis dele, que latejava feito uma serpente estrangulada, a ponto de sentir o fluxo do sêmen quando ele gozou, como quando se sente a água fluindo por um cano pouco espesso.Só então nos demos conta do risco que corríamos….Não sabíamos por quanto tempo ficamos naquela selvageria sexual, que durou poucos minutos, é verdade, devido à tensão e o tesão que ambos sentíamos, mas decerto alguém na garagem poderia desconfiar de nós. Sem dizer praticamente nada um ao outro, nos vestimos rapidamente, um tanto quanto envergonhados, porém incrivelmente saciados. É difícil de descrever a sensação de poder que um macho sente ao enrabar um outro macho, e aquele garoto me proporcionou isso.Não consegui raciocinar direito durante as horas que se seguiram, pensando em como iríamos nos encarar dali pra frente. E se ele quisesse, de uma próxima vez, ser o ativo? Um monte dessas besteiras ficaram me atormentando até que voltamos a nos cruzar na garagem, entre uma viagem e outra.Para minha surpresa, ele agiu com muita naturalidade. Tinha um sorriso meio Monalisa (indecifrável) no olhar, que só nós dois podíamos entender. Nós nos tornamos amantes e ele continuou a me surpreender com a doçura e passividade com que ele se comportava entre quatro paredes, em oposição ao seu temperamento habitualmente rude, quase intimidador, para quem não o conhecia como eu. Nosso lance durou até a época de sua transferência para uma outra linha da mesma empresa, em outro bairro. Eu, pouco tempo depois, arrumei um emprego como vigilante num shopping da zona oeste da cidade.Hoje, ainda nos vemos, esporadicamente, e nos mantemos a par das aventuras um do outro. Somos agradecidos um ao outro pela iniciação mútua. Não, não somos apaixonados. Acho que nunca fomos. Nossa relação não tem a carga dramática à la Brokeback Mountain.Nunca entendi direito o que nos uniu, e da maneira que nos uniu…mas, o fato é que aprendi, depois de velho a curtir um cuzinho de garoto novo, e ele aprendeu as delícias de uma pica experiente.


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