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Diário de Um Michê

agosto 21, 2006

Beto W /escritor de contos

Ele levanta e vai tomar banho. E eu continuo deitado olhando para a porra dele sobre o meu peito, escorrendo para minha barriga. Tornando-se líquida, perdendo a consistência como perde toda porra depois de algum tempo, depois de ter sido ejaculada num êxtase de prazer, num momento de gozo. É a parte que eu gosto, o gozo. Não o meu gozo, mas o gozo do outro. Ver o momento do prazer se estampar no rosto. E verdadeiro. Homem não é como mulher que finge o gozo. Homem goza mesmo. Mesmo que custe algum dinheiro, como agora, esse que acabou de me dar o prazer de vê-lo gozar é um michê. Um desses garotos de programa baratos que fazem ponto em bares e até na rua. Eu já o conheço e não é a nossa primeira vez juntos. Gosto dele, é bonitinho, corpo legal e pinto na medida exata do prazer, um pinto esguio. Sobe até quase atingir o umbigo e não é tão grosso. Limpo. Há pinto que têm um aspecto de sujo, mal cheiroso, o dele, não, mesmo quando não está exatamente cheiroso, engana, parece limpinho. Fico de fato penalizado com as roupinhas baratas dele, com o português errado que ele fala, com sonhos distantes da realidade… Fico puto com as histórias tristes reais e fictícias que ele sempre me faz ouvir. Se eu quero saber de desgraça assisto o noticiário na TV, quando eu saio com um michê eu quero prazer, fugir da realidade, mesmo a minha vida não é lá um conto de fadas. Às vezes penso em pagar dobrado ou um pouco mais, depois desisto, se o fizer só vou piorar a vida dele, vai esperar o mesmo a cada programa com outros clientes e ficar desapontado com o recebimento do que foi combinado. E, a vida é assim mesmo, cruel. De um jeito ou de outro ele e eu estamos fodidos iguais.
A mochila dele está jogada ao lado da cama, meio aberta, vejo uma agenda, sinto um desejo de fuçar, ver se ele agenda os programas que faz, se anota algum comentário a respeito como aquela menina, aquela putinha que escreveu um livro, a Bruna Surfista. Não devo fazer isso. Fui educado para não mexer nas coisas dos outros. Mas também fui educado para gostar de mulher e não dar a bunda. Não gosto de mulher e dou a bunda. Logo, posso mexer nas coisas alheias. Enfio a mão dentro da mochila com receio, ouço o chuveiro ligado, quando ele desligar para se secar eu devolvo a agenda à mochila. Abro. Não é uma agenda de compromissos, é uma espécie de diário. O diário de um michê.
Abro alheatoriamente, para ler alguma coisa, procuro os últimos meses do ano, relatos mais recentes:
17 de abril… …hoje precisei deixar um velhote da praça dos aposentados me chupar por dez reais. Estava duro, dois dias sem fazer um programa, estava com fome, não tinha jantado, nem tomado café e já era quase três da tarde, os dez reais foi para eu almoçar. (…) Deixei o vozinho me chupar quase uma meia hora, a chupeta rolou no banheiro da praça mesma. No começo senti novo, ele usa dentadura, dava para sentir um negócio meio solto na boca dele… Gozei na boca, ele disse que já está muito velho para ficar se cuidando…
29 de abril… Dormi na casa de uma mona gorda. Ontem o viado pagou minha conta na boate e me levou para casa dele. Prometeu dar cem reais para eu dormir com ele. Foi foda. Era para dormir abraçadinho a ele. Tive que fazer um puta esforço e abraçar a baleia. Não tive que comer, ainda bem. Ele me chupou um pouco de manhã cedo, mas nem deu tempo de gozar, ele estava atrasado, tinha que sair. Melhor. O bom de tudo isso está na minha carteira, duas notas de cinqüenta reais…
5 de maio… Tentei fazer um programa pela internet. Gastei toda minha grana num cyber e a tarde inteira. Nada. À noite precisei sair fazer rua. Odeio fazer rua, é muito humilhante, só faço quando não tem jeito mesmo, me sinto como carne numa vitrine refrigerada de açougue. Três carros pararam e nada, só conversa fiada. Um pediu para ver meu pau, abri a calça e mostrei, ele pediu para deixar o pau duro, eu falei que na rua não tinha jeito, ele pediu para eu chegar perto do carro, bem perto da janela, meteu a boca… O viado queria uma chupeta free. Foi com o quarto carro, quase três horas de calçada que eu consegui um programa. Um Gol preto com os vidros escuros parou para falar com outro michê que estava meia quadra distante de mim, o michê fez sinal para eu ir até lá. Fui. O cara estava a fim de um programa com dois michês. Topei. Entramos os dois no carro e fomos para o apê do cara. Rolou muita putaria, o cara enfiava nossos paus na boca, tentava ficar com os dois dentro da boca. Deu para um enquanto chupava o outro, colocou um DVD com uma cena de dupla penetração, queria fazer igual, tentamos, mas não deu muito certo. Umas duas horas depois ele nos levou de volta, antes passou num McDonald drive-thru e pagou lanche para nós, nos deu a nossa grana e nos deixou no ponto que nos pegou. Até que foi massa o programinha. Ele ficou de nos procurar para repetir.
Passo para o mês de junho, na verdade quero achar o dia que transei com ele da outra vez, não lembro ao certo que dia foi, acho que foi no começo do mês passado, junho. Quero ver o que ele anotou a respeito…
3 de junho… Hoje não estou bem, sei lá o que aconteceu. Aconteceu de novo, meu pau ficou duro e já amoleceu em seguida e não endureceu mais. Fiquei doido. Precisando de grana, com o cliente na mão e pau fazendo greve. Não deu. Por mais que me concentrasse, nada. Parecia maldição. Não sei o que aconteceu. Justo eu, meu pau está sempre mais duro que mole, mesmo quando estou de bobeira. Quando eu era molecão lá no interior teve um dia que bati dez punhetas, meu recorde, dez. Já fiz igual o Romário, dei duas sem tirar de dentro. Foi foda. O cara estava subindo pelas paredes, louco para dar e eu de pau mole. Ele chupou, lambeu meu saco, enfiou o saco inteirinho dentro da boca, não sei como ele consegue fazer isso, nunca ninguém tinha feito antes isso comigo. Lambeu meu cu. Até meu pé ele lambeu, disse que curte pés, é pedólatra, me explicou. Sorte que ele ficou com dó de mim, contei uma história bem triste, e pagou a grana combinada.
Ele desligou o chuveiro do banheirinho do motel ordinário, desses motéis de centro de cidade que a gente vai a pé mesmo, cuja única vantagem é ser barato. Barato e sujo, os lençóis são reaproveitados várias vezes antes de ir para lavanderia. Ainda quero ler o que ele já fez hoje ou ontem…
20 de julho… Hoje ele ainda não anotou nada. Acho que estou sendo a primeira transa ou trabalho do dia…
Ontem: 19 de julho… Hoje o dia foi bom, nem lembro quando fiz três programas num mesmo dia, já fiz, mas faz muito tempo. O melhor de todos foi com o carinha novinho, também fazia muito tempo que eu não beijava um viado na boca, mas ele parecia uma menina. Bundinha lisinha, branquinha, um tesão. Cuzinho rosado. Não resisti e meti a língua. Depois mandei rola, nossa, fazia tempo que não metia com gosto num rabo. Ele gemia gostoso. Pena que não quis me chupar, teria adorado ver aquela boquinha gostosa mamando no meu pau…
Não dá mais tempo, jogo rapidamente a agenda-diário dentro da mochila e me estico na cama, fecho os olhos e faço de conta que estou relaxando enquanto espero minha vez de tomar banho no banheirinho que não cabe dois dentro.
Despedimo-nos na porta do motelzinho mesmo. Antes de partir em rumo ao estacionamento que deixei meu carro, entrego uma nota de cinqüenta reais e digo para ele ficar com o troco, a foda foi boa, comento com certo desdém. Na real dei vinte reais a mais por conta do diário. Pago o estacionamento para um gostoso que trabalha lá, dou uma olhada libidinosa percorrendo todo o corpo dele e finalmente paro nos olhos, olho no olho para que saque qual é a minha, volto o olhar para o volume entre as pernas, perfeito, o jeans justo delineia as coxas firmes e o volume que entendo por um saco e um pau de bom tamanho. Ele deve estar acostumado com esse tipo de olhar. Percebo no rosto dele um leve sorriso de satisfação. Pergunto até que horas ele trabalha. Ele diz. Convido para um chopp. Ouço em resposta: passa aí para me pegar então…

Se Você também é um escritor de contos, mande para a gente, teremos o maior prazer em divulgar.

Um caso de amor entre um calouro e um veterano

agosto 8, 2006

Beto W /escritor de contos

Daniel está ridículo e feliz. Entrou para o tão sonhado concorrido curso de Direito para o qual prestou três vestibulares, um ano de cursinho, finais de semana lambendo livros com os olhos e muita força de vontade empenhada, até aulas de yoga fez. Não acreditou quando de tanta felicidade quando viu seu nome na lista do aprovados. Lá estava – Daniel. Primeiro dia de aula, entrou pelos longos corredores da universidade achando que o coração iria sair pela boca, tão excitado estava com a conquista do sonho da vida toda. Desde de pequeno sempre quis ser advogado, ora juiz, outra promotor, às vezes delegado. E o curso de direito era o elo que ligava a realização dos seus sonhos. Daniel está especialmente alegre, mas ciente do seu estado vexatório, ele está no cruzamento de duas movimentadas avenidas, no semáforo, no horário do rush, com a cara pintada de tinta, o cabelo detonado, restaram alguns tufos do seu bem cuidado cabelo castanho tão claro que tem a cor do mel, sem camiseta, com um sutiã vermelho, com a cueca por cima da calça jeans que está toda suja de lama, descalço. Trote acadêmico. Pedindo dinheiro para os carros que param no sinal vermelho. Um grupo de veteranos se diverte e reclama porque eles estão conseguindo muito pouco dinheiro para o churrasco de confraternização do final de semana – o churras de Direito: “Vem Calouro”.Os calouros estão cansados, com fome, com sede e tudo. Mas ainda não foram autorizados a deixar os postos de arrecadação de dinheiro e exposição ao ridículo. Daniel vê o veterano que está “cuidando” dele vir em sua direção. É um acadêmico do terceiro ano, o nome dele é Aron. Aron aplicou o trote em Daniel com todo requinte de crueldade mas conseguiu faze-lo de um jeito amigo e até carinhoso, ter Aron por perto dá uma certa proteção a Daniel. Dessa vez Aron vem com outro cara que Daniel ainda não viu no trote, não sabe se é acadêmico de direito ou algum amigo de Aron que está apenas passando por ali.

“Aeh, Daniel, tah tudo bem, cara?!!” – pergunta Aron.

“Beleza. Meio cansado, mas tudo certo. Pootz, tô morrendo de cede…”

“Ah!, mermão… Guarda a sede pras cervinhas do churras, e pede mais grana pra comprar muuuitas geladinhas. Oh, esse aqui é o Vinicius, é brother do terceiro ano, teu veterano também. Respeita o cara, hein?!!”

“Aeh…” – Daniel dá mão pra Vinicius.

Quando deveriam voltar para junto ao grupo de veteranos, Vinicius olhou Daniel fundo nos olhos e estendeu para ele a latinha de Coca-Cola que estava tomando.

“Fica com a Coca, cara. Você está com cede, bebe aeh…”

Daniel ficou sem ação. Nem mesmo Aron, seu protetor, dera a mínima pra sua cede. Pegou a latinha com mais de três terços ainda de Coca-Cola estupidamente gelada.

“Valeu, cara…”

“Como é mesmo seu nome?”

“Daniel…”

“Falow, Daniel…”

Daniel bebeu um generoso gole da Coca gelada ao mesmo tempo em que olhava Vinicius se afastar. Sentiu a adrenalina encher o seu estômago, tanto quanto a Coca. Mas, Vinicius era seu veterano, precisava tomar cuidado, no curso de direito não era lugar pra gay, não era o centro de artes, nem o de moda, de arquitetura ou mesmo de jornalismo. Onde estão os descolados, que cara que não é gay é bi, nesses centros, dizia sua amiga que fazia arquitetura. Só tem “viado”, acrescentava. Ainda assim Vinicius não deixaria de ser o cara mais gostoso que já vira em toda sua vida. Apesar da simpatia em deixar sua Coca pra ele não demonstrava o menor jeito pra coisa, pra viadagem.

Daniel continuou junto com os outros calouros a árdua missão de esmolar junto aos carros que paravam quando o sinal fechava. Claro, as pessoas eram simpáticas e procuravam as moedinhas de valor mais baixo para entregar aos calouros e sempre diziam alguma coisa que terminava em felicitações pelo ingresso à universidade e tal. De onde estava Daniel não conseguia deixar de olhar para Vinicius, sentado na calçada, numa sombra, muito largado em seu jeans rasgado, camiseta Calvin Klein e All Star no pé. E, Vinicius também olhava pra Daniel e quando a cruzada de olhares ficava evidente demais ele fazia um sinal ou dizia alguma coisa que Daniel não conseguiu entender direito.

No dia do churrasco, Daniel bebia sua quarta ou quinta Skol e conversava com Pedro Henrique, Anninha, Marco Antônio e Aron, Aron era o único veterano no grupo, um cara que se revelou muito gente boa aos olhos dos calouros. Aron era metido com o Diretório Acadêmico, um político talentoso por natureza. Daniel estava de costa quando sentiu uma mão apoiar-se no seu ombro, era alguém que chegava a rodinha deles. Ao virar-se para ver quem chegava ficou surpreso e deve ter demonstrado isso ao deparar-se com Vinicius.

“Aeh, Daniel, beleza?!!” – cumprimentou-o Vinicius com um forte aperto de mão e um olhar profundo, ele estava acompanhado por uma garota, estavam de mãos dadas.

“Aeh, beleza, pensei que você não vinha…” – disse e se arrependeu de ter dito isso na frente dos outros colegas, aos seus ouvidos sou como uma declaração de perobice – “estava esperando Vinicius?!?”, e o pior é que estava. Mas parece que ninguém no grupo notou nada. Vinicius retribuiu com um olhar diferente.

“Esta aqui é Vanessa. Minha namorada…” – apresentou ao grupo de calouros, com exceção de Aron, os calouros não conheciam sua namorada. Vanessa também era do terceiro ano de Direito, eles namoravam desde o primeiro ano, desde que se viram no churras “Vem Calouro” daquele ano que ingressaram na faculdade.

Depois que Vinicius apresentou a namorada ao grupo, eles se afastaram, mas de onde estava sempre olhava pra Daniel, e Daniel sempre estava olhando para Vinicius, seja onde estivesse. Aron parecia um político em campanha, e estava, logo os calouros ficaram sabendo que ele pretendia ser candidato a presidente do DA. O voto de Daniel e de quase todos os calouros ele já podia contabilizar como seus.

“Cara, já beijei três. Anninha, aquela loura, lah, nem perguntei o nome, pootz, ela tem uns peitões, deixou eu enfiar a mão dentro da blusinha dela, mas acho que ela nem é do curso. Nooossa, a Camila beija mal pra caralho, cara. A mina não sabe beijar, não, devia ser BV.” – Pedro Henrique falava sem parar depois de algumas cervejas, era um garoto muito branco e magrelo, estava vermelho e muito animado. O típico cara que não tem controle com bebida. Não iria faltar menina pra Pedro Henrique beijar, filho de um advogado famoso, era sonho do pai vê-lo na faculdade de direito, o presente por ter entrado na universidade foi um Audi A3 prata que as meninas adoravam.

“Você beijou a Anninha? Ela não estava ficando com o Marco Antônio?”

“Estava?”

“Estava.”

“Agora já era.”

Enquanto Marco Antônio se afogava com uma golada já na sua sexta cerveja, Daniel trocava olhares com Vinicius que abraçava Vanessa. Finalmente um gesto mais revelador, Vinicius deu um sorrisinho e uma piscada pra Daniel.

“Cara, vou ali falar com a Gabrielle, quero levar ela pra dar uns amassos no carro, o João Pedro que disse que ela fez uma chupeta pro Caio, e eu também quero.”

“O quê??? O João Pedro fez uma chupeta pro Caio?” – perguntou Daniel não acreditando no que tinha ouvido.

“O quÊÊÊ?!?” – berrou, Marco Antônio – “O João Pedro é boiola???”

“Você que disse que…”

“Hei, cara. Eu não disse isso, não. Você que tah dizendo.”

“Eu não. Eu tô perguntando.”

“Eu falei que o João Pedro me disse que a Gabrielle fez uma chupeta pro Caio. Se liga, cara, tah com a cabeça onde?”

Daniel foi pegar mais uma cerveja e encontrou Vinicius, que também chegava para pegar mais uma cerveja, dessa vez sem Vanessa ao lado. O encontro dos dois no frízer, que ficava ao lado da churrasqueira, num canto fora da visão de todos os demais, permitiu que Vinicius chegasse por trás e surpreendesse Daniel.

“Pega uma pra mim.” – pediu Vinicius com o corpo colado ao de Daniel, falando junto ao ouvido, Daniel sentiu a respiração ofegante do veterano bem na sua nuca. Sentiu um arrepio percorrer da nuca, descer pela espinha e ir lá em baixo.

“Tah.” – Daniel entregou a lata pra Vinicius.

Vinicius pegou a lata da mão do calouro e segurou a mão de Daniel, olho-olho e disse:

“Precisamos conversar…”

“Pega uma estupidamente gelada pra mim…” – pediu Pedro Henrique, bêbado, entrou pegar uma cerveja, interrompeu tudo, mas não sacou o clima no ar.

Vinicius ofereceu uma carona pra Daniel, Daniel aceitou, ele iria embora com Pedro Henrique bêbado, mas o Pedro Henrique bêbado havia sumido com Gabrielle que certamente deveria estar fazendo a chupeta que ele estava procurando.

Vanessa e Vinicius estavam calados. Brigaram? Daniel não tinha intimidade pra perguntar isso. Vinicius levou a namorada primeiro, justificou que era mais fácil deixa-la antes que Daniel. Ninguém reclamou. Na frente do prédio de Vanessa ela apenas deu um beijo no rosto do namorado e disse “tchau” pra Daniel, desceu do carro e entrou correndo no prédio. Estava evidente que eles haviam brigado. Daniel passou pra frente e Vinicius arrancou o carro fazendo os pneus cantarem.

“Vocês brigaram?” – perguntou finalmente Daniel.

“Eh!, cara. Namorada às vezes é phoooda!!!

“Sei.” – comentou Daniel sem saber direito o que dizer.

Vinicius parou o carro de repente numa rua escura. Virou-se pra Daniel e disse na bucha:

“Cara, eu to a fim de você.”

Antes que Daniel tivesse tempo de dizer qualquer coisa, Vinicius já estava em cima dele e partia pra um longo beijo, desses de língua, a língua de Vinicius invadia a boca de Daniel e às vezes a boca de Vinicius sugava a língua de Daniel que parecia ir um palmo pra dentro de sua boca. As mãos percorriam os corpos e a mão de Vinicius foi parar dentro da calça e da cueca de Daniel, bem na bunda, o dedo procurou o buraquinho de Daniel. Achou. Fez caricia, enfiou-se de leve e provocou o maior prazer que Daniel e seu cu virgem já sentiram. A outra mão de Vinicius tomou uma mão de Daniel e conduziu-a até seu pau. Por fora da calça Daniel segurou, apertou, acariciou o pau de Vinicius. Depois tomou coragem e abriu a calça, tirou o pau pra fora e sentiu um meladinho e um membro muito rijo e quente.

“Chupa…” – sussurrou Vinicius no ouvido de Daniel – “Chupa o meu pau, chupa…”

Daniel obedeceu, sim, ele também estava cheio de tesão, louco pra chupar Vinicius. Abaixou-se, sentiu primeiro o cheiro de sexo, do sexo do cara que estava com ele no maior amasso dentro de um carro numa rua escura na volta de um churrasco universitário em que os veteranos davam as boas vindas aos calouros. Daniel estava chupado um veterano. O cara mais gostoso que já viu. Abocanhou o pau inteiro, sentiu a cabeça chegar a sua garganta. Em movimento de vai e vem chupou gostoso. Entre um gemido e outro de Vinicius, mãos carinhosas afagavam a cabeça raspada de Daniel.

“Nooossa. Você chupa muuuito gostoso, cara. Melhor que minha namorada. Você já deu a bundinha alguma vez?”

“Não… Eu nunca dei. Mas já tinha chupado antes…”

“Eh!, você chupa bem, cara. Nooossa, sou louco por um cuzinho virgem. Vira aeh, vou meter a língua no seu rabinho zero quilometro.”

Meio se jeito, Daniel virou de bunda pra Vinicius, abaixou a calça mas continuou de cueca. Uma cueca branca apertadinha, a bunda durinha e lisinha de Daniel dentro daquela cueca branca era uma coisa. Vinicius mordeu. Lambeu por cima da cueca. Mordeu. Assoprou. Opa, assopra, não. Só mordeu e lambeu. Finalmente começou a descer a cueca de Daniel lentamente, cada centímetro que abaixava, dava uma lambida. Finalmente deixou a bunda inteirinha de fora, começou a descer e subir a língua pelo rego de um Daniel que gemia alto e se contorcia de tesão. Aquele era o caminho da felicidade, sussurrou Vinicius. Mas o prazer de Daniel estava só no começo, o calouro foi às nuvens mesmo quando o veterano meteu a língua no buraquinho. Noooossa. Aquilo foi tuuudo. Daniel achou que iria gozar. Não podia gozar ainda. A língua de Vinicius foi forçando entrada no cuzinho virgem e guloso.

“Agora seu buraquinho está pronto, bem molhadinho…”

Daniel ainda não tinha entendido o que iria acontecer, deitado de bunda pra cima, virou-se a tempo de ver Vinicius terminar de colocar uma camisinha no pau.

“Agora relaxa e faz força pra fora. Não fecha o cu, não. Faz força como se fosse cagar e deixa o resto comigo. Pode doer um pouco no começo, mas é só relaxar que a dor vai passar logo e você vai sentir um prazer que nunca experimentou na vida”

Sem que Daniel tivesse tempo para dizer se queria aquilo ou não, o pau de Vinicius começou a forçar entrada no cuzinho ainda virgem do calouro. O veterano pôs um pouco de mais de força e a cabeça entrou, Daniel estremeceu, fez um movimento como se quisesse escapar debaixo de Vinicius. Vinicius segurou firme e deitou em cima, mordeu o pescoço, lambeu e sussurrou no ouvido do calouro:

“Cara, estou louco por você desde o dia do trote. Acho que estou apaixonado…”

Diante da palavra “apaixonado” Daniel não sentiu entrar tudo e a dor quase insuportável pareceu insignificante diante de ter um cara apaixonado penetrando-o. Deixou os movimentos do seu veterano apaixonado invadirem-no e a sua paixão contida ir de encontro à de Vinicius.

DEZ ANOS depois – Daniel e Vinicius moram juntos faz três anos, Vinicius é um bem sucedido advogado e Daniel é juiz há um ano. Formam um casal feliz, o namoro dos dois começou na volta daquele churrasco em que os veteranos davam as boas vindas aos calouros, foi assim que Vinicius recebeu Daniel em sua vida. Por um tempo Vinicius manteve seu namoro com Vanessa pra disfarçar, mas depois o namoro acabou e nunca mais arrumou namorada, a amizade deles despertou suspeita, mas ninguém estava nem aí pra vida deles e eles eram um casal gay bonito, dois rapazes inteligentes, sempre na deles, nunca se assumiram publicamente, mas era evidente que eram namorados. Daniel e Vinicius foram felizes para sempre.

Nota do autor do conto: este conto é meu conto especial para o “Dia dos Namorados”, desejo felicidade e muito amor a todos os “namorados”, gays ou héteros, nunca namorei sério, tentei, não deu certo, desisti, hoje prefiro levar a vida assim, como levo. Acho mais seguro, pelo menos pra mim e minhas emoções. Desisti de procurar um grande amor, acho que pra mim ele não existe, mas acredito no amor dos outros e me emociono sempre que vejo um casal, gay ou hétero, mentalmente profiro uma benção. Sim, escritores podem abençoar, todo escritor é uma espécie de sacerdote, escritores podem tudo, são meio deuses. Feliz dia dos namorados!